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POR QUE O PARTO NORMAL É IMPORTANTE PARA A MÃE E BEBÊ?


03/05/2016 - 10:09:14 | 373

 

CONHEÇA AS REAIS INDICAÇÕES PARA QUE SEJA REALIZADA UMA CESÁREA

 

De acordo com o artigo O “corte por cima” e o “corte por baixo”: o abuso de cesáreas e episiotomias em São Paulo, nos últimos cinquenta anos se intensificaram as intervenções médicas por meio de tecnologias cujo intuito é iniciar, intensificar, regular e monitorar o parto, a fim de torná-lo o “mais normal” e para que a saúde da mãe e do bebê seja preservada.

A doula Fabíola Benetti, enfatiza sobre a importância de que se pense em um bom parto e principalmente, de que se busque informações baseadas em evidências científicas, já que na maioria dos casos, os médicos “acham melhor” que uma cesárea seja agendada, assim como utilizam pretextos como “bebê com circular de cordão”, “diabetes gestacional”, “idade avançada”, entre outros.

A cuidadora também ressalta que cerca de 98% das mulheres hoje em dia fazem o pré-natal, o que quer dizer que o parto em si está bem acompanhado, o que leva a crer que está tudo bem e que o parto será normal, mas no final da gestação, de aproximadamente 70% das mulheres que querem o parto normal, apenas 10% conseguem:

 

“No hospital público, a mulher é obrigada a ter um parto tecnocrático e violento, em que o médico comporta-se como uma espécie de 'deus'. Já no hospital privado, infelizmente o parto normal a mulher sequer consegue, porque o médico não quer e não é viável para a rede privada esse tipo de parto”.

 

Fabíola relembra que no SUS (Sistema Único de Saúde) aproximadamente 40% dos partos são normais, mas que se enquadram no modelo de parto violento. Já na rede privada, o número de cesáreas eletivas fica em torno de 90%, e na maioria dos casos, os médicos sequer esperam que a mulher entre em trabalho de parto:

 

“A doula não é contra a cesárea, é contra a cesárea eletiva em que a mulher vai lá e agenda o dia de nascimento da criança. Por quê? Porque o risco de hemorragia pós-parto é grande, o risco do bebê estar prematuro é muito grande. E ainda tem os casos em que o médico diz que a criança tomou a água de parto e precisará ficar internada, mas a criança “tomou” água do parto por nove meses dentro da barriga da mãe”.

 

O estudo A história do nascimento (parte 1): cesariana, enfatiza que a cesariana é uma tecnologia que trouxe enorme auxílio para “suavizar” a questão da mortalidade materna no século XX e de que atualmente e paradoxalmente, a questão é tornar a cesárea acessível em países da África Subsaariana, da Ásia e da Oceania, onde há alguns países com taxa menor que 1% de cesarianas (Chade); e mortalidade materna de 470 mortes a cada 100 mil nascidos vivos (Papua Nova Guiné) e diminuir as taxas de cesarianas em outros, que inclui o Brasil com taxas de 44% de cesarianas e uma mortalidade materna de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos.

A doula esclarece que o parto cesáreo não existe, já que cesárea é uma cirurgia e de que o único parto “normal” é o parto de fato normal, com o mínimo de intervenções:

 

“A cesárea é super bem-vinda, mas com reais indicações. Quais os riscos da cesárea? Hemorragia, prematuridade, imaturidade pulmonar fetal, ruptura uterina, morte fetal, a dificuldade para engravidar futuramente, corte acidental do bebê ou de órgão interno da mulher, além de outros riscos”.

 

QUAIS AS REAIS INDICAÇÕES DE UMA CESÁREA?

 

Fabíola Benetti esclarece que a cesárea possui indicação em caso de AIDS; de herpes genital com lesão ativa; em caso de placenta prévia, parcial ou total; em caso de ruptura da veia cava; em caso de desproporção céfalo-pélvica (quando o trabalho de parto está durando mais de nove horas e o bebê não desce); é indicada em caso de descolamento prematuro da placenta fora do trabalho expulsivo (quando o bebê ainda não está nascendo e ocorre o descolamento da placenta); em caso de prolapso do cordão e de dilatação não completa (quando o cordão umbilical sai antes do bebê); em caso de sofrimento fetal agudo, que a doula acrescenta: “Mas muitos médicos usam esse pretexto sem real necessidade. Em trabalho de parto e no momento da contração, os batimentos cardíacos da criança diminuem e em muitos casos, os médicos não esperam a contração acabar e já alarmam que o bebê está correndo riscos”.

A cuidadora também alerta que depois da cesárea, em uma próxima gestação, a mulher pode ter uma implantação incorreta da placenta, pode haver falta de aderência das camadas do colo do útero, sem contar os casos de infecção hospitalar, dentre tantos outros riscos.

 

E COMO SABER SE UM BEBÊ ESTÁ PREMATURO?

 

A doula explica que durante o trabalho de parto existe um coquetel de hormônios tanto para a mãe quanto para o bebê que vai se juntando e atuando para o amadurecimento dos pulmões, do cérebro, intestino, fígado e a expulsão pelo canal de parto vaginal propicia o amadurecimento total desses órgãos do bebê, que faz com que a criança não seja mais prematura. Durante o trabalho de parto e no ato expulsivo natural sabe-se que o bebê não é prematuro:

 

“Em uma cesárea agendada, o bebê nasce prematuro e a maturação dos órgãos é forçada na criança, então é muito mais dolorido. E essa cesárea eletiva faz com que a mãe acabe ficando longe da criança, até porque precisa esperar o efeito da analgesia acabar e isso dificulta o contato pele a pele entre a mãe e o bebê. É uma realidade triste, mas esse contato entre e mãe e filho é um direito da mulher por meio da regulamentação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde”.

 

A cuidadora também esclarece que o bebê que nasce em um parto normal não precisará de incubadora já que o contato com a pele da mãe aquece a criança naturalmente. Além disso, o parto vaginal é importante porque torna a criança imune às bactérias presente do colo do útero e nesse momento, a ocitocina é liberada naturalmente no corpo da mãe fazendo com que o leite seja produzido mais rápido. 

 

 

Fabíola Benetti - Doula

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Fontes

CNGRAVIDAS – Congresso Nacional para Grávidas: cngravidas.com

DINIZ, CSG; CHACHAM, A. O “corte por cima” e o “corte por baixo”: o abuso de cesáreas e episiotomias em São Paulo. Questões de Saúde Reprodutiva. 2006; 1(1):80-91.

PARENTE, Raphael Câmara Medeiros et al. A história do nascimento (parte 1): cesariana. Femina (Rio de Janeiro). V.38, p.481-486, 2010: www.febrasgo.org.br/site/wp-content/uploads/2013/05/feminav38n9_pg481-486.pdf