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Obesidade infantil: maus hábitos alimentares cultivados desde o berço


14/03/2016 - 23:00:00 | 614

COMPREENDA SOBRE ESTE MAL QUE ATINGE MILHARES DE CRIANÇAS NO PLANETA

 

 
Em reportagem especial (*ver no final da matéria) produzida em 2013 pela TVNBR, era mostrada a realidade de milhares de criança no Brasil. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso ideal. No vídeo é mensurada principalmente a importância de que haja uma mudança nos hábitos alimentares de crianças e pais.
 
Mas o problema da obesidade é mais complexo do que se pensa e pode começar muito cedo, logo nos primeiros contatos da criança com os alimentos.
 
A pediatra Denise Lellis Garcia, alerta que é natural para aqueles que cuidam das crianças acreditarem que elas podem sentir falta de determinado alimento, mesmo que não o conheça e, ressalta que desde cedo os alimentos tipicamente “gostosos” como doces, alimentos ricos em carboidratos ou que são tradicionalmente oferecidos aos bebês como é o caso do petit suisse (Danoninho) são ‘insistidos’ na dieta da criança.
 
Para a médica, é importante que a criança desenvolva uma boa relação com os alimentos que consome e esse é um processo natural e lento:

“Quando forçamos, insistimos ou distraímos as crianças na hora da comida, elas perdem a chance de desenvolver uma boa relação com o alimento e perdem a capacidade de perceber as sensações envolvidas no ato de comer. Isso pode gerar hábitos ruins no futuro como comer sempre na frente de uma tela, comer em excesso e escolher mal os alimentos”.

A especialista explica que atualmente os cuidadores não têm tempo de deixar a criança conhecer e estabelecer uma boa relação com novos alimentos e que prezam pela rapidez e fácil substituição no momento da refeição, a fim de ver o prato vazio rapidamente: “Essa é uma prática muito ruim, uma vez que a criança perde a oportunidade de ter uma alimentação variada e acaba ficando cada vez mais seletiva no futuro”.

O MAL DA OBESIDADE NA INFÂNCIA

 

Em 2003, o artigo Obesidade na Infância e Adolescência – Uma Verdadeira Epidemia, trazia um panorama sobre a questão da obesidade infantil como uma epidemia mundial e já se falava principalmente em outros males decorrentes da obesidade em crianças como dislipidemia (colesterol), hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e diabetes. Treze anos mais tarde, o problema só tomou proporções ainda maiores.

A pediatra impõe a reflexão de inúmeros estudos científicos já realizados que provam que as doenças cardiovasculares e AVC (Acidente Vascular Cerebral), que hoje representam as maiores causas de morte entre os adultos, tiveram seu início na infância: “Muitos destes estudos destacam a importância do papel dos maiores formadores de opinião das crianças que são os pais e professores”.
 
O estudo Obesidade infantil: como podemos ser eficazes? alerta que vários fatores podem influenciar o comportamento alimentar. Podem ser externos (que envolvem o ambiente familiar, atitudes de pais e amigos, valores sociais e culturais, mídia, alimentos rápidos, manias alimentares, entre outros); os fatores podem ser internos (necessidades e características psicológicas, imagem corporal, autoestima, saúde, entre outros).
 
A pediatra explica que não direciona seus cuidados apenas à criança, mas à família, até mesmo porque quem decide por crianças pequenas geralmente é a família ou a escola. A médica acredita que por conta da abordagem do problema da obesidade em geral culpabilizar os pais, é comum que ocorram discordâncias entre mães e médicos no que se refere à dieta:

“A mãe é tão vítima quanto a criança do ambiente obesogênico em que vivemos hoje e deve ser orientada e acolhida assim como a criança. As famílias que não entendem a importância da alimentação na infância e como isso influencia todos os aspectos do adulto que ela será um dia, não estão preparadas para receber orientações de mudanças de hábitos”.

A especialista acredita que quando a mãe repreende uma conduta médica direcionada à criança, deve ser ouvida e ter as dúvidas sanadas, já que só assim é possível que haja um avanço significativo no que se refere à mudança de hábitos.

“Um estudo americano conseguiu reduzir a prevalência de obesidade infantil em uma população restrita através de mudanças comportamentais simples como reduzir o tempo de tela (TV, computador, tablets e celulares) para duas horas no máximo por dia, incentivar e possibilitar 1 hora de atividade física por dia, reduzir ao máximo a ingestão de bebidas adocicadas como refrigerantes e sucos de caixinha e aumentar o consumo de frutas e legumes”, explica.

A médica enfatiza a importância de que seja reduzido o consumo de industrializados, em especial as bebidas industrializadas e de que o ato de se alimentar sem atenção seja abandonado. 
 
Hoje a tecnologia faz parte do cotidiano e as crianças já nascem com acesso à mesma. Mas será que não seria o momento de preservar algumas tradições, como aquela de quando as pessoas se reuniam no momento da alimentação e se concentravam nos sabores dos alimentos e no valor daquela ocasião?



 
 
 
 
Denise Lellis Garcia – Pediatra
Sitedeniselellis.site.med.br

 
 
 
 
 
 
 
Fontes

Obesidade infantil: como podemos ser eficazes? Realizado por: Elza D. de Mello; Vivian C. Luft; Flavia Meyer: www.scielo.br/pdf/jped/v80n3/v80n3a04

Obesidade na Infância e Adolescência – Uma Verdadeira Epidemia. Realizado por: Cecília L. de Oliveira e Mauro Fisberg: www.scielo.br/pdf/abem/v47n2/a01v47n2.pdf

Uma em cada 3 crianças, entre 5 e 9 anos, está acima do peso recomendado pela OMS. TVNBR: www.youtube.com/watch?v=QDO3n41vmFQ